Eu queria silêncio, mas encontrei muito mais

Quando chego perto do mar, de uma grande árvore, rio ou cachoeira, sinto vontade de fazer silêncio.
De ficar só olhando.

Tenho um sonho que um dia todos os seres humanos vão desenvolver uma tecnologia “avatar” para conseguir se comunicar com esses outros seres e elementos naturais (e eu gosto de acreditar que eu já tenho algum dispositivo desse tipo instalado em mim). Sonho que os seres humanos tivessem tanto respeito por esses lugares como temos por templos religiosos.

E por isso, por esse meu “sonho” (ou delírio?), sempre me irrito com os outros turistas.

É difícil para mim compreender como alguém pode, por exemplo, fumar ao lado de uma cachoeira (e muitas vezes ainda jogar a bituca no chão!). Não dou conta também daqueles grupos ruidosos, ou dos que ficam grudados em câmeras fotográficas sem parar um minuto completo se quer só para estar ali.

Dias atrás fui visitar a cachoeira de La Fortuna na Costa Rica. Para uma brasileira aquela cachoeira não era nada demais, mas mesmo assim, me fiz humilde na presença dela. Ela não era tão grande mas tinha uma potência tão forte que eu pensei que poderia ter um orgasmo só de ficar um tempo olhando aquela água caindo (sim, minha relação com a natureza é bem doida). Senti então essa vontade que me dá de aquietar. Queria poder sentar e ficar só de olho nela por um longo tempo. Mas os gritos dos turistas me atrapalhavam.

E daí eu me vi ali, naquele lugar lindo, querendo poder entrar em contato comigo e com tudo, mas a única coisa que havia dentro de mim era uma espécie de angústia e frustração por aquelas pessoas não estarem fazendo aquilo que eu esperava delas.

E eu senti bem no meio do meu peito a sensação ruim de quando estou julgando alguém. Confesso que estava me julgando melhor que eles, pois era eu quem sabia o que deveríamos estar fazendo ali. Eles eram só um bando de gente insensata que estavam me atrapalhando. Eles eram só um bando de gente que deixavam aquele lugar menos bonito para mim, Eles eram as pessoas que atrapalhavam minhas fotos, eles, eles, eles…

Até que eu pensei que talvez, eles pudessem estar pensando a mesma coisa de mim. Que aquela menina sentada na pedra lá na frente também estava atrapalhando a selfie deles.

Eu não queria estar ali, sentindo aquilo. Decidi olhar a situação com outros olhos. Comecei a enxergar gente de todo canto do mundo. Algumas famílias. Vi mães preocupadas com os filhos que estavam na água e que gritavam dizendo para eles não irem muito longe para não se afogar. Vi gente preocupada em fazer o melhor ângulo para foto para terem uma boa lembrança da Costa Rica. Vi gente chegando perto para cheirar as flores que estavam desabrochando. Comecei a pensar se todo mundo que estava ali estava feliz…qual será a dinâmica que tem dentro de cada família? Como será que eles se planejaram para essa viagem? Será que teve alguém que parcelou essa viagem em 12 vezes? Será que teve alguém que finalmente realizou o sonho de ir para Costa Rica? Será que dentro daquele grupo de jovens barulhentos tem alguém que está apaixonado por outro alguém do grupo?
Será que no fundo eles querem o mesmo que eu?

Acho que sim. Acho que todo mundo ali estava tentando ser feliz, do jeito que sabe.

O sentimento dentro de mim mudou. Eu estava desarmada. Tinha até mais espaço para entrar o ar no meu peito. Acho que posso dizer que senti carinho por aquelas pessoas. De repente, eu desejava sinceramente que elas aproveitassem ao máximo as férias delas na Costa Rica.
Olhei para cachoeira e tive a sensação de que ela sorriu para mim.

Carolina Nalon

por Carolina Nalon

Olá! Meu nome é Carolina Nalon e sou uma eterna inquieta que acredita que o mundo precisa de mais autenticidade e empatia. Espero que você encontre muita inspiração nas linhas e vídeos do meu blog. Se quiser saber mais sobre o que eu faço, visite a aba "projetos" desse site ou acesse: tiecoaching.com.br

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